O GORRO COMANDO
Não há uma idéia precisa de como surgiu o uso do gorro comando, capuz, touca ninja ou outras denominações que o valham. Muitos vão buscar referência a época medieval quando os cavaleiros, nobres, utilizavam uma malha metálica entrelaçada para a proteção da cabeça, pescoço e ombros, contra golpes de certas armas.
No entanto isso é discutível do ponto de vista da destinação do uso atual do gorro, cujo material fabril é diverso da época medieval. Por sua vez o nome Balaclava remonta a época do século XIX cujo local, uma cidade litorânea da Ucrânia, a qual ficou conhecida por uma célebre batalha da guerra da Criméia que redundou em um dos maiores fracassos militares da Grã-Bretanha e cujo histórico é relatado no épico " A carga da Brigada ligeira".
Não sabendo conectar o nome da cidade ao conhecido capuz, julgamos, no entanto de forma empírica que possivelmente o exército russo e ou o inglês pode ter se utilizado de um capuz para proteger os homens das intempéries da natureza, no caso o frio e o vento.
A bem da verdade, nos conflitos mais modernos, até a guerra do Vietnã, são rarissímas as imagens ou relatos da utilização do gorro comando para fins táticos. No entanto eram utilizados para proteção contra frio.
Contudo, após a 2ª Guerra Mundial, algumas empresas do ocidente, iniciaram o estudo de uma veste (capuz) que pudesse ser utilizada por pilotos de caça, cuja principal característica fosse a de ter capacidade antichama ou refratária de chama.
Tal característica foi implementada devido a várias situações de combate aéreo no qual, apesar do piloto não ter sido atingido, o motor em chamas e o óleo que escapava pela fuselagem causavam graves queimaduras na face e mãos do mesmo, fazendo-o por muitas vezes perder o controle do avião e cair.
Nascia assim o tecido NOMEX® que seria utilizado nos macacões, luvas e capuz de vôo. Observados também nos trajes de pilotos de corridas e seus mecânicos. Todavia com a evolução tecnológica da aeronave cuja concepção agora era o jato e o aprimoramento dos capacetes de vôo o capuz foi descartado para os pilotos de caça
Ocorre, no entanto, que em 1972 na cidade de Munique - Alemanha, durante os jogos olímpicos, terroristas da OLP invadiram os dormitórios dos atletas israelenses e em cadeia mundial mostravam ao mundo os rostos cobertos por capuzes ou meias de seda. Na investida da polícia alemã para por fim ao ataque resultaram mortos 11 atletas israelenses, todos os terroristas e três policiais.
Após tal evento ficou clara a necessidade da criação de unidades antiterroristas, as quais seriam formadas por um seleto pessoal, cujas identidades, por razões de segurança deveriam ser mantidas em sigilo. Assim, nas ações a serem desencadeadas os mesmos utilizariam o gorro comando ou um capote (SAS) para preservação da identidade.
Diante do aspecto policial, o uso do gorro comando também é caracterizado pela necessidade de preservação da identidade de alguns policiais, especialmente designados para missões de caráter sigiloso (policial que investiga determinada quadrilha se infiltrando em algumas áreas e que depois tem a necessidade de participar da ação para prender os criminosos).
A utilização do gorro por tropas de operações especiais ou unidades táticas vislumbra três aspectos diversos do da preservação da identidade:
- Proteção física;
- Efeito psicológico;
-Camuflagem;
- Proteção física
Através de tecidos do tipo NOMEX ou KEVLAR que permitem a proteção contra chamas, calor e onda de choque resultante de uma explosão, farpas de madeiras, arranhões, cortes e etc.
- Efeito Psicológico
Proporcionado pelo visual encobrindo a aparência física e emocional do operador tático.
- Camuflagem
Se considerando a necessidade de realizar operações de incursão ao objetivo sem ser identificado, o gorro comando auxilia o combatente na camuflagem visto que já existem gorros em padrões camuflados e evita que o suor denuncie o homem, pois mesmo com o rosto camuflado o suor ao deslizar pela face pode proporcionar reflexo contra a luz natural ou artificial.
Todavia, o uso do gorro comando deve estar apenas atrelado a determinadas situações ou operações e ainda assim, só utilizado por unidades táticas ou de comando (no caso das FFAA). Pois não há explicação para o uso de tal apresto por integrantes de unidades que realizam patrulhamento diuturno, principalmente motorizado.
É bem verdade que não há normatização sobre o uso do gorro comando ou o seu impedimento, dentro de um contexto jurídico. Mas o risco da explicação sobre a "necessidade" de uso deve recair sobre quem assim proceder.
Apesar de haver justificativas para o uso do gorro comando, tanto de caráter de proteção física quanto pelo lado do psicológico. Algumas unidades especiais a exemplo do SAS, Delta, SEAL 6 entre outras, evitam utilizar o gorro comando optando por óculos de proteção e capacetes "não-balísticos"- mas resistentes o suficiente para a proteção contra choques. A justificativa dessas unidades se baseia no fato de que o gorro comando limita o campo visual e auditivo, além de atrapalhar o uso de certos equipamentos de comunicação e uso de máscaras de gás. Contudo, diante do aspecto psicológico necessário à ação, a camuflagem de padrão completo (padrão americano) substitui, no entender desses grupos, o uso do gorro comando. Além de que a própria capacidade respiratória não é comprometida.
Finalizando, apesar das controvérsias alusivas ao uso ou não do gorro ou capuz, é certo que paira na cabeça do cidadão a imagem contempladora e respeitosa de uma unidade tática ou de operações especiais, através do uso de uniformes específicos e equipamentos, inclusive o gorro comando. O que não ocorrerá com certeza com outras unidades.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
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